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Texto: Pedro Bastos
Num primeiro olhar, é evidente que o novo Volvo XC60 se configura como um XC90 em versão ‘reduzida’, sendo que encontro o design exterior mais ‘ligeiro’ do que na anterior geração. Apesar de perder a última fila de lugares, este novo modelo beneficia claramente das virtudes estéticas do seu irmão mais velho e como se não bastasse, configura-se como classe 1, mesmo nas variantes AWD.
Este D4 Momentum, com caixa automática de 8 velocidades e tração integral, anuncia preços pouco superiores a 57.300€. Acima, encontra-se a versão D5 AWD com 235cv e o plug-in Hybrid T8 com 407cv.
As versões D4 equipam com o sobejamente conhecido 2.0 litros de 4 cilindros com 190cv, que se destaca mais pela suavidade do que propriamente pelo seu silêncio de funcionamento, particularmente em rotações mais elevadas. Os 400Nm de binário máximo surgem logo às 1.750rpm, sendo que às 1.500rpm já se sente uma generosa disponibilidade para ganhar rotação. Anuncia uma velocidade máxima de 205km/h  e uma aceleração dos 0-100 em 8,4s.
O casamento com a caixa automática de 8 velocidades, permite que o motor se encontre no seu regime ideal de desempenho em 90% das situações, sendo que, e apesar de muito suave no seu funcionamento, a caixa revela hesitações e lentidão na resposta em velocidade mais baixas, tornando-se particularmente irritante em situações de abrandamento e reaceleração em rotundas e/ou cruzamentos, bem como à passagem por lombas.
Com um peso muito próximo dos 2.000kg e com uma generosa superfície frontal, o consumo médio de 5,1l/100 anunciado pela marca é apenas uma miragem sendo que, em condução tranquila e com modo ‘ECO’ acionado, o melhor que consegui foram 8.0l/100. Com paciência, é possível baixar para os 7.0, mas basta que forcemos um pouco o andamento para que o computador de bordo indique valores acima de 9,5l/100!
No plano dinâmico, toda a atitude deste XC60 promove uma utilização descontraída e sem pressas, patente desde logo numa direção bastante leve e num tato geral suave de todos os comandos. A suspensão prima também por uma taragem macia, ajudada ainda por uns pneus de elevado perfil (235/55) em jantes de 19 polegadas. Mas se tudo isto contribui para um rolar bastante confortável, também é verdade que a carroçaria adorna com alguma convicção em traçados mais sinuosos, retirando alguma agradabilidade à experiência de condução.
Mais uma vez, é a bordo do novo XC60 que o ar de família para o XC90 se torna evidente. O funcional e intuitivo ecrã central apresenta um funcionamento em tudo semelhante, sendo que este modelo apresenta já alguns upgrades do foro gráfico. Na consola central, não pude deixar de notar algum decréscimo de qualidade no material escolhido para os comandos do travão de estacionamento e botão do start&stop. Em termos de espaços de arrumação contamos com um bom porta-luvas, generosas bolsas nas portas e dois amplos espaços na consola ventral, contando um deles com tomadas USB para carregamento de aparelhos e ligações multimédia.
A qualidade de construção é, em termos gerais, muito robusta, enriquecida por materiais moles e de toque agradável em grande parte do interior. Comparando com o recentemente ensaiado Audi Q5, diria que ainda está um nível abaixo, encontrando-o todavia ligeiramente melhor do que um Mazda CX-5.
A posição de condução é bastante boa, contrariando a mediania dos SUV’s que pecam por posições demasiado altas. No XC60 é possível viajar mais baixo do que o habitual, tanto que desta vez não precisei de baixar o banco até ao seu limite para ficar bem colocado para o volante de design agradável e excelente pega.
O bancos Volvo já carregam adjetivos de qualidade sobejamente reconhecidos e se no item ‘conforto’ nada há a apontar, critico alguma falta de apoio lateral, o que, quando conjugado com uma carroçaria que revela alguma tendência para adornar nas curvas, enfatiza uma sensação menos positiva ao volante.
No capítulo da habitabilidade, nada há a apontar. Existe espaço confortável para 5 adultos, quer para as pernas, quer em altura (mesmo contando esta unidade com um teco panorâmico), sendo que o habitual lugar central presente no banco traseiro, não é desconfortável de todo.
A bagageira conta com 505 litros de capacidade, perdendo aqui para o Audi Q5 e suplantando o Mazda CX-5. Conta com um portão de acionamento automático, mas com um plano de carga algo elevado (algo que pode ser colmatado nas versões com suspensão pneumática).
O Volvo XC60 apresenta-se como um produto integralmente novo, ‘aterrando’ num mercado inundado de concorrentes de peso. O Alfa Romeo Stelvio, com motor de 180cv, tração Q4 e caixa auto de 8 velocidades, apresenta um preço em tudo similar a este D4, apostando claramente no dinamismo como seu principal cartão de visita. Um Mazda CX-5, em versão ‘top spec’, AWD e com um motor marginalmente menos portente, custa 53.500€, sendo um ‘all-rounder’ de respeito. No extremo oposto, e noutro patamar de qualidade, temos o Audi Q5. Em configuração semelhante, com tração quattro, caixa STronic e motor 190cv, já apresenta valores acima de 66.000€, havendo no entanto a hipótese de optar pela versão de 2 rodas motrizes, caixa manual e motor de 150cv, para nivelar (por baixo) como este novo XC60.
Place your bets…

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