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Por esta altura já não é surpresa para ninguém que gosto muito de carros…. :-)!
E que gosto muito de carros rápidos também não será propriamente uma novidade… portanto….. C2 1.6 VTS, foi um prazer…… mas, até à próxima!!
Depois de uns meses de aturada procura, encontrei-o!!! Estava em Leiria, à minha espera, era fantástico e…. eu ia comprá-lo! Ah pois é….e comprei-o!
Meus caros, aqui vos deixo o meu 20º carro, um BMW (E36) M3 3.2 Cabrio, o 69-23-JH!

 

O primeiro contacto com o carro não começou da melhor forma…. pois no dia em que combinei com o stand ir experimentá-lo, deparei-me à chegada com uma enorme mancha de óleo no chão, no sítio onde o ‘JH’ se encontrava estacionado…pensei eu: ‘Vim de Lisboa para isto, começamos bem!’
Ainda assim, e tendo em conta o magnífico estado em que o carro se encontrava, a confirmar os 66.000km marcados no conta-quilómetros, decidi avançar com o ‘test-drive’! Em boa hora o fiz, pois pude confirmar, da melhor maneira, que o 3.2 respirava saúde! 😉
Depois de enviado para a BMW, veio o veredicto: Retentores do cárter e caixa ressequidos e uma embraiagem em mau estado! Reparação feita a cargo do stand, pneus novos com 2.000km percorridos e …. negócio fechado! 😉 
Hardtop montado, cheque passado e pimba, viagem de regresso para Lisboa, onde pude, pela primeira vez, ‘esticar as pernas’ ao ‘JH’…. estava realmente muito bom! 
Aproveito para deixar um agradecimento muito especial ao meu grande amigo João Quadrado (outro ‘fanático’ auto) que me deu ‘boleia’ até Leiria para viver comigo este momentinho tão especial…. sim, porque não se compra um ícone da indústria automóvel todos os dias! 😉
Depois de ter tido um M3 (E36) Coupé, rapidamente me apercebi que a versão Cabrio do M3 se afigurava como um conceito mais ‘GT’ do que o modelo ‘fechado’. As suspensões mais tolerantes e até mesmo os bancos mais confortáveis do que as bacquets (as famosas Darth Vader) presentes no coupé, acentuavam essa característica.
No que toca ao equipamento disponível, e para um carro com quase 15 anos, considero-o abundante e sofisticado! Contando com AC automático bi-zona, ABS, 4 Airbags, computador de bordo multifunções, Hi-fi com 8 altifalantes, 4 vidros eléctricos, fecho central com comando à distância e capota totalmente eléctrica!
Conforto garantido, absolutamente nada a apontar….!

 

A versão ‘evo’, ou 3.2, do M3 E36, acrescentava 200cc ao 6 cilindros de 3 litros, o VANOS passou a bi-VANOS, abarcando admissão e escape (anteriormente só admissão), estreava uma caixa de 6 velocidades (manual ou semi-automática ‘SMG’) e subia a potência dos anteriores 286cv para uns muito respeitáveis 321cv às 7.400rpm! Estávamos na fasquia dos 100cv/litro e aproveito para relembrar que a BMW estreou este motor há mais de 16 anos!!
Infelizmente, esta versão ‘evo’ ficou conhecida por anunciar uma cavalgem um tanto ou quanto ‘optimista’, com muitos testes em banco de potência a revelar números aquém do esperado….  Felizmente para mim, e depois de instalado um kit de admissão K&N (eliminando a caixa de ar original), o ‘JH’ debitou uns impressionantes 330cv no banco de potência da Almeida&Lamas (www.almeida-lamas.pt)!

 

 O kit da K&N foi o primeiro ‘upgrade’ que efectuei no meu cabrio e…. ainda mal tinha começado ;-)!
A alteração na admissão, mais do que para conseguir mais meia-dúzia de cavalos, foi feita com o objectivo de melhorar o som da ‘aspiração’ de ar do 6 cilindros, cuja gula na 2ª fase do VANOS (acima das 3.000rpm), só estimulava ainda mais a manter o pé bem assente no pedal da direita!

 

E já que melhorava o som da admissão, porque não fazê-lo também para o som de escape?…. e lá mandei vir uma panela da JETEX (www.jetex.co.uk) em inox…. 😀

 

O resultado pretendido foi plenamente atingido, tendo o M3 ficado com um ‘ronco’ de escape bastante mais encorpado, sem no entanto se tornar cansativo em velocidades de cruzeiro.
Uma característica menos ‘interessante’ nos ‘M’, sempre foram….os travões!
Longe de travarem mal, nunca ficaram conhecidos por serem muito resistentes à fadiga, sobreaquecendo com alguma facilidade e, consequentemente, alargando (perigosamente) as distâncias de travagem! 
Pedia-se portanto…. um upgrade!;-)
Se o problema não era a potência de travagem mas sim a sua capacidade de ‘endurance’, a solução era fácil: Trocar os tubos originais do circuito de travagem por um kit de malha de aço da Goodridge, passar a usar um óleo de travões DOT5.1 e, finalmente, usar pastilhas de travão com maior tolerância a altas temperaturas, neste caso, EBC ‘Yellowstuff’! A mudança surtiu o efeito desejado, permitindo-me, inclusivamente, ‘sobreviver’ a um ‘trackday’ no autódromo de Portimão, sem nunca estar preocupado com a capacidade de travar para a 1ª direita no final da recta da meta, a mais de 230km/h!! … falta só referir que os discos da frente (de origem) é que não estiveram à altura e acabaram o dia um bocado ‘quadrados’ 🙂

Ao longo dos mais de 3 anos em que tive o prazer de guardar o ‘JH’ na minha garagem, o acumular de quilómetros fez-se de uma forma contida, fazendo menos de 10.000km p/ano, utilizando o carro essencialmente ao fim de semana ou como ‘trunfo’ para viagens mais longas e/ou eventos especiais.
A fiabilidade deste carro nunca foi posta em causa, não tendo absolutamente nada a apontar em termos de avarias! Todo o dinheiro gasto neste M3 foi direccionado para as revisões ‘normais’ ou para os vários upgrades efectuados! Um ‘tanque’ só vos digo!!
Acho que o maior ‘problema’ com que me deparei, foi mesmo a minha incapacidade de olhar para o carro e pensar: ‘Está bom assim, não precisa de mais nada!’… o sentimento mais frequente era mesmo: ‘…e se?’
Inevitavelmente, e com essa predisposição, seguiram-se:

 

E ainda… uma alteração que, apesar de não ser visível, foi a que mais ‘transformou’ o carro!
A colocação de um ‘rapport’ de caixa mais ‘curto’ ou, em linguagem mais técnica, a instalação de uma relação 3.91, contra 3.62 de origem…. Perde-se velocidade de ponta, mas ganha-se (e muito) nas acelerações…. 
Na minha opinião, esta é a relação final de caixa que o carro deveria trazer de origem! A relação de caixa original é demasiado ‘longa’, com uma 3ª velocidade que atinge 160km/h ou a capacidade de atingir o limitador electrónico de velocidade de 250km/h em 5ª ou, 6ª velocidade! 
Sem limitador, e em teoria, esta versão do M3, seria capaz de atingir os 290km/h….
A relação 3.91 veio trazer-lhe a capacidade de aceleração que fica bem patente nos vídeos, onde destaco os 3.5segundos para recuperar dos 80-120km/h em 3ª ou os pouco mais de 19s para atingir 200km/h!
Em termos de velocidade de ponta, não houve uma perda assim tão significativa, na medida em que os 260km/h (no ponteiro) eram, ainda assim, superados com relativa facilidade.

Na óptica ‘consumal’, esperava que esta alteração tivesse um impacto maior no meu bolso do que aquele que se veio a verificar. Se por um lado, e pelo ‘encurtamento’ da caixa, passei a rodar sempre com maior número de rotações em cada mudança, também é um facto que o motor passou a rodar sempre mais ‘solto’, com menos esforço e, como já tinha afirmado, a subida nos consumos (já de si baixos) não foi além de 1 litro/100!!

 

A título de exemplo, e já com o novo diferencial instalado, fiz uma viagem de 4.100km pela Europa e, a uma velocidade média de 86km/h (AE, estradas secundárias e montanha), o consumo médio ficou-se pelos 10,8l/100! Recordo que estamos a falar de um motor de 3.200cc, com +330cv, num carro com quase1.700kg de peso!!

 

Será este um bom exemplo do ‘tudo-em-um’? Muito rápido, confortável q.b, com 4 verdadeiros lugares, espaço para bagagens, sem gastar rodos de gasolina…. Sou quase tentado a dizer que sim. 
Não fosse um carro que, pelas suas características, atrai atenções, por vezes, ‘indesejadas’, obrigando a cuidados redobrados na hora de o deixar estacionado, eu diria que seria um carro com o qual se consegue conviver no dia-a-dia, sem despender fortunas em combustível ou sem ter que fazer demasiadas concessões ao conforto! 

 

 

A parte pior…. somos nós!
É muito, muito difícil resistir à tentação de esmagar o acelerador, ouvir o 6 cilindros ‘gritar’ até às 7.500rpm enquanto sentimos o nosso corpo violentamente pressionado contra os bancos!
A sensação de segurança que nos é incutida ao volante deste automóvel, leva-nos rapidamente a explorar velocidades proibitivas, ao mesmo tempo que fazemos encolher nos nossos espelhos, a grande maioria do parque automóvel que nos acompanhava, instantes antes!

 

Que grande, grande máquina!!
Não o melhor, mas seguramente um dos melhores carros que já tive o privilégio de conduzir!!

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