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Texto e Fotos; Pedro Bastos
Pós Produção: João Meneses Photography
‘Viaturas com altura no 1º eixo até 1,30m passam a classe 1 nas portagens’.
No dia em que li esta notícia, pensei com os meus botões: ‘Hum! Será mesmo assim tão simples?’

E a resposta às minhas suspeitas sobre mais uma valente ‘manhosice’ do nosso governo não se fez esperar… ‘Desde que cumpram a norma de emissões Euro6’, ‘Desde que o peso bruto não ultrapasse os 2.300kgs’, ‘Desde que não possuam tracção integral permanente ou inserível’…

Para ser mais limitativo, só mesmo ‘Desde que o proprietário possua 3 braços e 2 cabeças’!
Em resumo, pouco ou nada se altera (a nova lei aplica-se a alguns modelos novos que ainda estão em vias de ser fabricados e uns míseros 2.000 veículos já em circulação)!
O Nissan X-Trail é um dos inúmeros afectados pela majoração para classe 2 nas portagens, salvo quando equipado com Via Verde e desde que a tracção esteja somente entregue a 2 rodas.
No caso desde modelo em análise, não há Via Verde que lhe valha, pois é sempre classe 2!
Então mas não tem menos de 1,30m de altura no primeiro eixo? Tem…
Então mas não cumpre a norma Euro6? Cumpre…
Então mas e o peso bruto? É inferior a 2.300kgs…
Ah! Mas é um 4×4 …. Pumbas! Classe 2!
Está portanto ‘condenado’ à partida, limitando de sobreameira as vendas de um tipo de veículo de cariz marcadamente familiar e cuja tracção integral, ao invés de analisada como um item de segurança adicional, é vista como um ‘luxo’ burguês, passível de ser taxado com o dobro do valor (em alguns casos superior) nas portagens!
O Nissan X-Trail dispensa apresentações e apresenta-se como o irmão mais velho do ‘best-seller’ Qashqai, oferecendo uma carroçaria de maior porte, para além de 7 lugares. Com 5 ocupantes a bordo, o espaço disponível é muito generoso, sendo que os passageiros da 2ª fila podem deslizar os assentos em 60/40, bem como regular a inclinação do respectivo encosto para as costas. Nesta configuração, a bagageira disponibiliza uns tímidos 445 litros de capacidade, um valor claramente abaixo da média do seu segmento. Quando a ocupação sobe para 7, o caso complica-se, pois a mala fica limitada a uns parcos 135 litros e requer por parte do 6º e 7º passageiros, dotes de contorcionista e… Pés pequenos! O espaço nessa fila é bastante exíguo, podendo revelar-se cansativo em deslocações maiores.
O habitáculo é alegrado com a luz proveniente do generoso tecto (1ª metade de abertura elétrica) em vidro e por uma qualidade de montagem muito robusta, apesar de marcado por tons predominantemente escuros. O requinte proporcionado pelos estofos em pele, aquecidos à frente e atrás, é refoçado por imitações em fibra de carbono nas portas, conferindo-lhe um toque de modernidade.

Apesar de uma montagem robusta, a escolha de alguns materiais poderia ser revista, já que encontramos demasiados plásticos duros (por vezes com algumas arestas) a marcar presença num habitáculo que se pretende ser tecnologicamente avançado.

A posição de condução é, como não podia deixar de ser, alta, conferindo uma exclente visibilidade para todos os cantos do veículo. Mesmo que tal não fosse o caso, dispomos de visão 360º, sendo só de apontar uma menos boa resolução da imagem espelhada no ecrã multifunções central.

Graças às múltiplas regulações eléctricas dos bancos (sem memórias) e boa amplitude de regulção do volante de fundo plano (que a meu ver resulta despropositado neste veículo), desfrutamos de uma boa posição de condução, com um excelente alcance para o volante e manete da caixa, sendo que pisamos os pedais de cima para baixo. Pena que o apoio para o pé esquerdo tenha ficado para 2º plano, pois não encontrei nem espaço suficiente nem um formato cómodo que me permitisse conduzir realmente confortável.

Do lado esquerdo do condutor, em baixo, existem uma série de comandos (alerta de mudança de faixa, star&stop, controlo de tracção, aquecimento do volante, etc) completamente escondidos, dando a sensação que alguém se esqueceu de os organizar de antemão, ficando sem alternativas para a sua colocação. Uma falha ergonómica claramente a rever.
O volante tem uma excelente pega e agrupa todos os comandos do rádio, telefone, cruise control e computador de bordo, tornando a sua utilização fácil e muito intuitiva.
Nesta versão de topo, contamos com todo equipamento expectável numa viatura desta classe de preço, sendo que lamento somente o grafismo algo pobre e desactualizado dos menus presentes no ecrã multifunções táctil. Uma nota mt positiva para a excelente capacidade de iluminação (adaptativa) em LED, proporcionando uma visibilidade nocturna francamente boa.

É tempo de nos metermos a caminho e perceber de que forma este 2.0dCi de 177cv casa com este X-Trail 4×4-i.

Pressiono o Start&Stop…. e o 4 cilindros diesel acorda para a vida com um nível de ruído acima do que esperava. Percorridos os primeiros metros e após ganhar a temperatura adequada, o nível de dB atenua, mas continua a marcar uma presença demasiado marcante em todo o habitáculo, ao que se junta um nível de vibrações menos bom, sentido não apenas no punho da caixa, mas também ao nível dos pedais.
Quando em carga, nada melhora, bem pelo contrário…
Os 177cv às 3.800rpm não apresentam qualquer dificuldade em lançar esta ‘laranja mecânica’ para velocidades (muito) ilegais, mesmo com 4 ocupantes a bordo e pendentes desfavoráveis! O binário máximo de 380Nm chega às 2.000rpm, mas a partir das 1.500rpm já apresenta uma notória capacidade de progressão. No entanto, é justamente entre as 2.000/2.500rpm que sinto o motor como mais áspero no seu funcionamento, algo que cai justamente no regime de cruzeiro da 6ª velocidade, algures entre os 120 e os 140km/h.
Acima dos 120km/h, são notórios alguns ruídos aerodinâmicos provenientes do tecto de abrir, pilares A e rolamento dos pneus, aconselhando a subir ligeiramente o som da alta fidelidade para atenuar a coisa.
A marca anuncia uns optimistas 5.8l/100 de consumo médio. Após 300kms de ensaio, o consumo médio que me foi possível obter, foi 8.9l/100. Creio que é possível fazer bastante melhor, mas confesso que a obtenção de consumos a rondar os 7.0, vai requerer um nível de paciência para o qual eu admito não estar talhado.
Em termos dinâmicos, convirá não esquecer que estamos na presença de um SUV com um centro de gravidade alto, calçado com jantes de 19 polegadas e uns pneus de generoso perfil 225/55. Posto isto, há que refrear o andamento quando o traçado é mais sinuoso, sob pena de induzirmos generosas doses de adornar de carroçaria que seguramente causarão a todos os ocupantes sensações estomacais menos agradáveis.
No capítulo da travagem, destaque para uma excelente mordacidade no ataque e um pisar de pedal muito progressivo e fácil de modular.
Os preços do Nissan X-Trail começam pouco acima dos 34.000€ para as versões 1.6dCi 130cv, 2WD e classe 1 com ViaVerde. Esta unidade em ensaio, tratando-se da ‘top spec’, já ultrapassa os 42.000€, sendo muito penalizada pela já referida classe 2 nas portagens. Se o seu mote de SUV, passa pela necessidade de possuir tracção integral, então este X-Trail poderá ser uma opção a considerar.
No entanto, e caso as suas preferências se cinjam à capacidade de transportar até 7 pessoas, num veículo moderno e bem equipado, aportando um design em linha com as tendências do mercado, aconselho-o a que poupe 8.000€ e opte pela versão 1.6dCi 130cv com 2WD. Vai poupar no preço, nas portagens, nos consumos e… nos ouvidos!

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