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Texto: Pedro Bastos

Desde a primeira vez que pus os olhos nesta nova geração do Micra, que uma imensa curiosidade em explorá-lo mais em detalhe ficou assim como que… latente!

 Bem sei que não se trata propriamente de um desportivo de topo, ou um automóvel dotado de uma inovadora e singular motorização híbrida, não.

É sobretudo, muito, mas muito giro!

Esta versão 1.5dCi N-Connecta é particularmente atraente na sua escolha cromática exterior, nome de código ‘Skyline’, termo que só por si, e numa marca como a Nissan, carrega uma herança de peso!
Num azul elétrico, com apontamentos em cinza/prata e jantes escuras de 17 polegadas, este pequeno Micra tem no seu look um dos seus pontos mais positivos. Aliás, não se importam que eu o apelide de ‘agressivo’ pois não? É que ao pé do seu primo Renault Clio, destaca-se de forma evidente.
Também se destaca no campo do preço por ser ligeiramente mais caro do que este, bem como da maioria dos seus concorrentes. Esta versão N-Connecta ‘Skyline’, movida por um 1.5dCi de 90cv e caixa manual de 5 velocidades, apresenta uma etiqueta final de 22.700€ (ainda que todos os Micra estão, durante o mês de Janeiro, com uma campanha de 2.400€ de desconto) e posso-vos dizer que não é o mais caro dos Micras, com preços a variar entre os 14.700€ para a versão ‘Visia’ a gasolina e os 25.100€ das versões ‘Tekna’ diesel mais equipadas.
A linha de cintura ondeante, cruzada com ângulos vários ao nível da grelha frontal, faróis e farolins traseiros, transmitem-lhe um ar marcante, que eu casaria muito bem com uma certa palavra ‘Nismo’!
A forte imagem no exterior estende-se para dentro do habitáculo. Mal acedemos ao seu interior, percebemos que a sua superior qualidade, quer em termos de escolha de materiais, quer em termos de robustez de montagem, na minha opinião, imediatamente justifica o diferencial de preço.
Plásticos moles na parte superior do tablier, apliques em tecido azul em toda a zona frontal do tablier e pele sintética creme com costuras em azul na zona inferior da consola central, dão-lhe um ar não só extremamente moderno, como o elevam para um patamar de qualidade superior.
Os bancos multicolor são agradáveis à vista e proporcionam um bom apoio lateral, sendo que apenas ao nível das pernas encontro espaço para críticas. Dotado de boas regulações, não tive dificuldade em encontrar uma boa posição de condução, sendo o novo volante uma das peças em destaque. No entanto, a Nissan optou por um volante de fundo plano e vocês já sabem qual é a minha opinião sobre os mesmos, sobretudo num automóvel com estas características.
Em termos de equipamento disponível, esta unidade passa com nota elevada, chegando a ser desconcertante a profusão de sistemas que um veículo deste nível de preço oferece hoje em dia.
Seria fastidioso mencionar todos mas; cruise control com limitador de velocidade, leitura de sinais de trânsito, avisos de colisão, som BOSE, câmara traseira com sensores de estacionamento, navegação, multimédia Bluetooth… Credo!

Logo desde os primeiros metros percorridos, fui dominado por uma agradável sensação ao volante. O diesel com 220Nm às 2.000rpm responde com imensa disponibilidade a partir das 1.500rpms e daí para cima, nunca senti falta de força em nenhum regime, sendo os 90cv responsáveis por uma velocidade máxima de 180km/h e 0-100km/h em apenas 11,9s.
Encontrei este 1.5 relativamente bem insonorizado, não manifestando vibrações de maior, mesmo em regimes mais altos. Todavia, se deixamos de cair as rotações abaixo das 1.300/1.400rpm, o motor ‘bate’ um pouco e revela alguma preguiça para subir de rotação após essa quebra. Nada que não se resolva com recurso à muito agradável caixa manual de 5 velocidades, que não só tem um tato extremamente agradável, como a encontrei bem escalonada e com o punho a uma distância e colocação primorosa em relação ao volante.
A marca anuncia um consumo médio de 3,2l/100… Ora bem, vocês já me conhecem não é? Portanto, ao longo de 300kms de contato, o meu ‘saldo’ médio ficou-se por 5,9l/100 o que, dados alguns trajetos em AE a velocidades acima do legal e pára-arranca, eu diria que foi um bom valor para aquilo que eu costumo registar noutros modelos. Destaco que num trajeto em Nacional a 100/110km/h de velocidades de cruzeiro, rubriquei um consumo de 4,4l/100, o que me pareceu um valor francamente bom.
Em termos dinâmicos… Meus caros, é um citadino com 90cv desprovido de qualquer pretensão desportiva, end of story. Ainda assim, e mesmo forçando o andamento, não detectei reações nefastas de maior e só lamento a presença de travões de tambor no eixo traseiro que limitam de alguma forma o poder de travagem deste ‘Skyline’.
As jantes de 17 polegadas são muito bonitas à vista e ajudam na estabilidade geral do conjunto, no entanto, em pisos mais degradados ou na passagem sobre tampas de esgoto, o amortecimento é seco e um pouco desagradável. O ruído de rolamento também sai ligeiramente prejudicado pela presença de pneus de reduzido perfil e teor mais desportivo.
Este Nissan Micra surpreendeu-me imenso. É um caso de amor à primeira vista, quer por dentro quer por fora. Considero os 22.700€ mais do que adequados ao modelo em questão e dentro deste segmento de produtos seria sem dúvida a minha escolha… em versão ‘Nismo’!

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