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Texto e Fotos: Pedro Bastos
Pós Produção: João Meneses Photography

A dieselização do nosso mercado, é um fenómeno que se encontra em gradual mutação, muito por culpa de modelos como este Mercedes classe A200 !

Quando ensaiei o novo A180d em Junho passado, não me cansei de lhe dirigir elogios, pelas inúmeras qualidades apresentadas.
Quer exteriormente, quer sobretudo a nível interior, o modelo de acesso à marca, exibe uma tal evolução, que deixa os seus principais concorrentes alemães em muito maus lençóis.
E nem com um preço inicial superior a 32.000€, sendo fácil de elevar acima dos 40.000€ com alguns extras como; tecto panorâmico, pacote ‘premium’ e pacote AMG, deverá este novo modelo Mercedes ter quaisquer dificuldades em bater records de vendas!
O sobejamente fiável motor 1.5 diesel de origem Renault revisto para 116cv em conjugação com a caixa de 7 velocidades de dupla embraiagem, garante boas performances e consumos contidos, sendo este, muito provavelmente, o factor decisor na hora de avançar para a compra de um 180d.
Agora…
E se eu lhe disser que pelo mesmíssimo preço, ou em boa verdade, até por um pouco menos, a Mercedes disponibiliza o A200, equipado com um motor 1.332cm3 turbo a gasolina, com quase mais 50cv de potência e a um mundo de distãncia em termos de performance, permitindo ao excelente chassis deste novo A, brilhar de uma forma completamente diferente?
Já tenho a sua atenção?
Pois é verdade…
Com preços a começar nos 31.000€, o A200 equipa com um pequeno e ultra suave 1.4 turbo a gasolina, capaz de disponibilizar 163cv às 5.500rpm e um binário máximo de 250Nm logo às 1.620rpms, tornando-o num bloco com imensa disponibilidade e alegria para acelerar! E cuidado com os pontos na carta, pois a facilidade com que ganhamos velocidade é mesmo muita e rapidamente circulamos para lá dos limites legais.
Tanto, que este A200 cilindra as performances do ‘mano’ diesel com 225km/h de velocidade máxima, enquanto cumpre os primeiros 100km/h desde parado em 8.0segundos!
Todo este fulgor é acompanhado por uma nota de escape que só peca por ser demasiado filtrada, mesmo quando em modo ‘Sport’.
A caixa de dupla embraiagem 7G-DCT casa na perfeição com este bloco… Sem pausas, sem hesitações, obedecendo de imediato às nossas solicitações, transmitidas através das patilhas colocadas por trás do volante.
A condução ganha rapidamente ritmos muito rápidos e nas curvas que percorrem a Serra do Caldeirão, pude desfrutar de um A completamente diferente daquele que vos dei a conhecer em vídeo.
Com um ‘lag’ absolutamente desprezível, o ‘on&off’ no pedal da direita, é acompanhado por um ímpeto imediato em ganhar velocidade, de uma forma com a qual o modelo 180d só pode aspirar em sonhos!
Demonstrando um adornar de carroçaria mínimo, graças aos dois níveis elegíveis de dureza da suspensão e uma postura muito neutra, foi possível levar a cabo uma condução com o seu ‘quê’ de desportividade… Pelo menos até aos travões começarem a apresentar alguma fadiga… Convirá referir que as temperaturas rondaram os 33graus nos dias do ensaio, elevando assim o grau de exigência para a mecânica.
Ainda assim, que carro tão melhor e tão mais entusiasmante de conduzir!
Fiquem ainda sabendo que, por preços a partir de 47.000€, existe o modelo A250 com 224cv, tendo a Mercedes apresentado recentemente o A35 AMG com 306cv… Mas a loucura não fica por aqui, pois o substituto do modelo ’45’ está já na forja e fala-se num valor final de 400cv…. num classe A!!
Voltando ao objecto deste ensaio…
Perante um carro tão melhor, com um preço ligeiramente inferior… porque hã-de continuar as pessoas a preferir o modelo diesel?
As respostas dividem-se e as razões multiplicam-se.
Se por um lado, a óbvia diferença no preço p/litro de combustível de quase 0.20€ deixará afastados muitos dos potenciais interessados no modelo a gasolina, não deixa de ser verdade que por outro lado, o défice de quase 50cv, deixará igual número a ‘pensar melhor’.
Em termos de consumos, posso afirmar com toda a certeza que, na esmagadora maioria das situações, em particular em viagens mais longas com cruzeiros estabilizados, as diferenças no consumo médio são inferiores a 1.0l/100, sendo também verdade que se acentuam numa progressão geométrica quando os andamentos sobem de tom.
A fundo, um 180d nunca gastará tanto quanto um A200 em situação similar, mas também não nos esqueçamos que o retorno emocional quando em modo ‘a fundo’,é incomparavelmente superior no modelo movido a gasolina!
A somar a isto tudo, movemo-nos num universo de compradores que se dispõe a pagar, muitas vezes, acima de 40.000€ (como no caso dos 180d e 200 que pude ensaiar) por um hatchback ‘premium’.
Estamos pois perante um tipo de cliente com um poder de compra elevado e para o qual esta gestão orçamental em termos de combustível poderá resultar menos relevante.
Mercedes A200 com 163cv a gasolina por 31.000€ ou A180d com 116cv a gasóleo por 32.500€?
A minha escolha está feita… E a sua?

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