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Texto e Fotos: Pedro Bastos
Pós Produção: João Meneses Photography

Considero um verdadeiro talento, a capacidade que algumas marcas de automóveis têm para lançar um ‘novo’ modelo que, na sua essência e em algumas vertentes, são iguais ou muito parecidos com os que vêm substituir!

Ainda não há muito tempo, e a título de exemplo, me dei conta que o ‘novo’ Honda Civic equipa com o mesmíssimo 1.6i-DTEC de 120cv que o motoriza desde 2013!

Mas a Lexus, com o seu CT200h vai mais longe… pois não apenas mantém inalterada a motorização que o equipa desde o seu lançamento em 2011, como esteticamente nos lança um verdadeiro desafio de ‘Descubra as diferenças’!

Se no muitíssimo bem construído interior se aplica um tratamento de ‘copy&paste’, sendo literalmente impossível de perceber se estamos ao volante de um modelo de 2013, 2015 ou 2017, exteriormente, há um ou outro pomenor que denuncia as versões mais recentes, requerendo todavia algum grau de perspicácia.
Não sendo nunca um modelo barato, os preços começam nos 30.500€ para as versões ‘Business’, terminando nuns estratosféricos 43.300€ pedidos pela versão ‘F Sport+’!
A propósito do nome ‘F Sport’, aproveito para relembrar que estamos perante um véiculo híbrido a gasolina, com uma potência máxima combinada de 136cv, 180km/h de velocidade máxima e uma aceleração dos 0-100km/h cumprida em 10.3s,
Em jeito de comparação com outro modelo ‘premium’ de valor equivalente, conduzi recentemente o novo Mercedes A180d 7G-DCT, equipado com um pequeno 1.5 diesel de 116cv e caixa de 7 velocidades com dupla embraiagem. Apesar de apresentar menos 20cv, foi capaz de igualar o CT200h em aceleração dos 0-100km/h e de o superar largamente em termos de velocidade máxima, com 205km/h de ponta.
Muito provavelmente, o único modelo Lexus que alguma vez se comprou pelas suas performances absolutas terá sido um Lexus IS-F ou, com maior grau de certeza… um LFA!
Isto leva-me a concluir que, por norma, o campo prestacional não é algo que esteja nas prioridades dos seus proprietários.
Ainda assim, quando estamos a falar de modelos com preços superiores a 40.000€, as nossas cabeças começam a pregar-nos algumas partidas e questionamos se a fabulosa insonorização ou a inquestionável suavidade de marcha a qualquer velocidade, justifica um tal prémio?
A sua elevadíssima qualidade de construção não é sinónimo de um habitáculo espaçoso. Bem pelo contrário, ao volante sinto-me sempre demasiado limitado nos meus movimentos e com o banco do condutor regulado para um individuo com 1.80m de altura, o espaço nos lugares traseiros é francamente ‘à justa’. O espaço reservado para o pé esquerdo do condutor é adequado para um tamanho ’37’ e o obsoleto sistema de travão de estacionamento com o pé, não só carece de modernização urgente como chega a implicar com alguns movimentos ao entrar e sair do carro.
A mala oferece uns escassos 275 litros (mais um fundo falso que não chega a 100 litros) com um plano de carga elevado, deixando a desejar no campo da funcionalidade.
Caro, parco em espaço, pouco performante e com alguns pormenores mais 1998 do que 2018, o que torna este Lexus num produto tão peculiar? Bom, nada de muito diferente para além do já extensamente elencado nos demais ensaios que pude publicar.
O omnipresente sentimento ‘Zen’ sempre que estamos ao volante, é talvez o ponto mais marcante da experiência de condução.
Mais do que o seu comportamento neutro em curva ou um potente sistema de travagem, é o silêncio sempre que rolamos em modo ‘EV’ ou a imperceptível transição para o funcionamento com o motor a combustão, que nos brindam com momentos de grande prazer aos comandos deste CT200h.
O funcionamento da caixa e-CVT, requer o seu período de habituação e, apesar de bastante melhorado, o elevado regime para o qual o 1.8 VVTi dispara sempre que pressionamos mais de meio acelerador, revela-se, por vezes, incomodativo.
A versão ‘Executive+’ que pude ensaiar, cai no lado mais ‘acessível’ da gama, com preços a partir de 34.500€. O nível de equipamento oferecido é bastante generoso, apresentando todas as comodidades exigíveis nesta gama de preço. Mais uma vez, e à semelhança do meu antigo IS300h, oferecer uma câmara de estacionamento traseiro SEM sensores de estacionamento é, para mim, algo incompreensível, diria mesmo, inútil.
Expoente máximo da iteração ‘equipa que ganha não se mexe’, será que a Lexus ainda vai demorar muito para perceber que… não estão a ganhar?

1 COMENTÁRIO

  1. Engraçado ver a “imparcialidade” nas suas analises. O A180d custa para cima de 32.000€ e equipa com motor Renault – é fabuloso.
    Este já é caro porque equipa com motor híbrido, que é em tudo mais vantajoso que um motor a gasóleo.

    Já tinha reparado que tem uma queda por carros alemães, mas vamos lá ser mais imparciais senão as analises perdem toda a credibilidade…

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