COMPARTILHAR
Texto e Fotos: Pedro Bastos
Pós produção: João Meneses Photography
Os mini SUV, chegaram, viram e venceram! E como se não bastasse, vieram para ficar!
Num segmento densamente ‘povoado’, o Hyundai Kauai é o representante coreano que compete não só com outro coreano (KIA STonic), mas também com japoneses (Nissan Juke) e europeus de diversa ordem (Renault Captur, Seat Arona, VW T-ROC).
Com preços a começar pouco acima dos 20.000€ para a versão 1.0T-GDI de 120cv e duas rodas motrizes, confesso que a única coisa que me separa de o achar um negócio irrecusável é a sua estética exterior, em que a frente me parece o resultado de uma salganhada de conceitos… Da qual não consigo gostar!
De perfil, as linhas resultam bastante mais felizes e a traseira tem um ar bastante menos extravagante do que a desorganizada frente …. ou diria ‘demasiado à frente’?
Em termos de espaço habitável, e depois de ter ensaiado o VW T-ROC num passado recente, encontro este Kauai mais desafogado quando comparado com o congénere alemão, sendo que a bagageira é em tudo idêntica, apresentando o coreano um plano de carga ligeiramente mais elevado.
Em termos de robustez geral da carroçaria, diria que o produto é bastante satisfatório, não apresentando desníveis ou grandes folgas entre painéis. Apenas o som algo ‘plástico’ do bater de portas ou da bagageira, induz uma sensação de aparente fragilidade, sobretudo quando comparado com o Renault Captur ou VW T-Roc.
A versão que pude ensaiar tinha um preço final de 21.750€, apresentando já um nível de equipamento bastante satisfatório, tendo apreciado particularmente o excelente funcionamento do ecrã táctil, com menus e funcionalidades bastante intuitivas.
Ligação para iPod, sensor de luz e chuva, cruise control, aviso de mudança involuntária de faixa ou um extenso computador de bordo, são apenas alguns dos itens de conforto que pude encontrar a bordo deste Kauai.
A qualidade de contrução interior foi talvez aquele aspecto que menos gostei, pois não só peca pela ausência de plásticos moles, como a predominância pelo cinzento ‘saco de plástico’, destoa do carácter jovem e irreverente deste modelo.
Todavia nem tudo é mau, pois a robustez de montagem está em altas, sendo que numa unidade que já apresentava mais de 13.000kms percorridos, a ausência de ruídos parasitas era (ainda) evidente.
Esta versão de acesso, equipa com um 1.0 tricilíndrico, turbinado, capaz de debitar uns expressivos 120cv às 6.000rpm e 172Nm de binário a partir das 1.500rpm, valor que se mantém constante até às 4.000rpm.
Depois de conhecer o novo 1.0t da Honda e o 1.0t do grupo VAG, posso afirmar que o T-GDI do coreano é aquele que me pareceu ser o mais ruidoso e menos filtrado em termos de vibrações. É um bloco que sobe de rotação com vivacidade, permitindo quase sempre bons níveis de progressão… e digo ‘quase sempre’, pois se deixamos cair o ponteiro do conta rotações abaixo das 2.000rpm, o ‘lag’ na reaceleração é considerável, sendo recomendável o recurso à caixa manual de 6 velocidades.
A caixa de relações algo longas, apesar de precisa, apresentou um tacto que não me satisfez por completo, revelando uma sensação de ‘troc-troc’ entre passagens de caixa.
Em termos dinâmicos, relembro desde já que estamos perante um veículo com 1.55m de altura, suspensão sobre-elevada e jantes de 18 polegadas, com pneumáticos 235/45. Feito este ‘disclaimer’, escusado será dizer que não se trata propriamente de um veículo deveras entusiasmante de conduzir por traçados sinuosos, sendo que a taragem confortável da suspensão, rapidamente provoca um adornar menos agradável da carroçaria, gerando na frente uma tendência para alargar trajectórias, caso não refreemos o andamento imposto.

É antes um veículo que recomendo para andamentos mais tranquilos, tanto que só assim é possível ver o computador de bordo registar consumos abaixo de 8.0l/100. A 120km/h de cruise ligado em AE, não consegui melhorar um registo de 7.4l/100, sendo que, pelas voltinhas do lugarejo, não é incomum registar valores acima de 9.0l/100. Ainda assim, consegue, em média, ser melhor do que os ‘1 litro’ Honda e VAG.
Em percursos de AE, e circulando a velocidades legais ou próximas disso, a caixa longa permite que o ‘tri’ rode pouco acima das 2.000rpm, repercutindo-se positivamente no silêncio a bordo, contribuindo para viagens tranquilas ao sabor de um pisar que nunca foi capaz de se revelar desconfortável, mesmo com lotação esgotada.
O preço deste Kauai será, muito provavelmente, o factor determinante no acto da escolha. Apesar de alguns pontos menos bons, como em todos os automóveis, confesso que, no geral, foi um automóvel que me surpreendeu positivamente, quer numa óptica custo/benefício/equipamento, quer no campo da praticabilidade/funcionalidade… Já para não falar em 5 anos de garantia 😉

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA