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Texto e Fotos: Pedro Bastos

Pós Produção: João Meneses Photography

Ainda com a memória repleta de reflexos azuis e tiros de escape da versão ‘N’ do i30, confesso que esta versão Fastback me faz desejar que a aplicação do 2.0 turbo com 275cv não se restrinja à carroçaria Hatchback!

O Hyundai i30 Fastback pertence à família dos Coupé de 4 portas, mas aqui em Korean Style!

Com umas linhas verdadeiramente sedutoras, a linha de tecto mais baixa, confere-lhe um dinamismo significativo, enquanto lhe rouba algum espaço para a cabeça dos passgeiros traseiros, apesar de assim lhe conferir uma generosa bagageira com 450 litros.

A frente do i30 é impactante e agressiva q.b. e, mais uma vez, não posso deixar de pensar que um certo azul lhe ficaria a matar!

O acesso ao interior começa por revelar um peso de porta que transmite um sentimento de ‘segmento abaixo’, terminando numa deceção visual, resultante da escolha monocromática cinzento-escuro-plastificada, quer para os bancos, quer para o tablier ou demais revestimentos.
É nesta altura que me cabe realçar que apesar de equipar com um 1.4 Turbo de 140cv, os preços para este modelo, bem recheado de equipamento, começam nuns singelos 26.550€, valor que considero mais interessante do que os 24.000€ pedidos para a versão 1.0 T com 3 cilindros e 120cv, dado que o concorrente de peso Honda Civic 1.0T de 129cv, apresenta valores de acesso ainda mais atraentes.

A construção geral é muito sólida, apesar da escassez de plásticos macios, não havendo registo de barulhos parasitas ou rangeres indesejados. A posição de condução alinha com a terminologia do modelo e é bastante boa, sendo fácil a obtenção de um alcance ideal para o binómio pedais/volante. Em termos ergonómicos, e excepção feita para alguns comandos um pouco escondidos por trás do volante, a operacionalidade de todos os comandos é leve, fácil e intuitiva, com especial destaque para o ecrã táctil multifunções, que só peca por não ter uma luminosidade suficiente para fazer face aqueles ângulos de luz mais ‘difíceis’.

O espaço habitável é bastante razoável para 5 ocupantes, desde que os passageiros traseiros não apresentem mais de 1,75m, sob pena de roçar com o cabelo no forro do tejadilho…. um dos problemas da ‘Estética sobre a função’.

A mala com 450 litros peca somente por um plano de carga algo elevado, penalizando a arrumação de objectos mais pesados.

A grande surpresa com este Fastback veio da sua unidade motriz!

Não por oferecer umas prestações de cortar a respiração, mas antes pelo seu fantástico isolamento de vibrações e silêncio de funcionamento, ao ponto de, quando parado, ficarmos à espera de ouvir o motor arrancar quando pisamos a embraiagem para só depois perceber que o motor já se encontrava a trabalhar!!

As prestações puras são adequadas à filosofia do modelo, apresentando uma velocidade máxima de 208km/h e uma aceleração dos 0-100 cumprida em 9.2s (9.5 com caixa TCT).
Os 140cv chegam às 6.000rpm e o binário máximo de 242Nm dá mostras do seu vigor logo às 1.500rpm.  Assim, este 1.4T apresenta uma generosa gama de rotação para progredir, sem quebras ou ‘lag’ significativo, evitando um recurso frequente à caixa manual de 6 velocidades, que peca por alguma falta de suavidade no seu funcionamento.

De lamentar ainda o tacto inicial do acelerador que se revelou quase sempre difícil de modular, conduzindo a inúmeros ‘bog down’ ao longo dos 4 dias de convívio.

Percorri 820kms ao volante deste i30 Fastback, com 80% em AE, quase sempre de cruise control (com aviso de mudança involuntária de faixa) ligado a 139km/h. Ao cabo de 4 dias de viagem, o consumo médio registado não ultrapassou os 6.9l/100, um valor sensato e real, tendo em conta os 5.7 anunciados pela marca.

No plano dinâmico, contamos com uma taragem de suspensão ligeiramente mais rija do que o ‘normal’ i30, bem como jantes de 18 polegadas com pneus 225/40. Se por um lado não existem repercussões nefastas ao nível do conforto de rolamento, devo confessar que, numa condução mais animada, este i30 retorna com momentos gratificantes ao volante, sobretudo tendo em conta a filosofia do modelo e da dimensão da unidade motriz, a qual, em rotações mais elevadas, denota uma sonoridade que quase pode ser apelidada de ‘desportiva’!

Com este Fastback, voltei a desfrutar daquela agradável sensação de, estando à espera de um ensaio mais banal ou menos interessante, deixar-me surpreender por um automóvel que, por um preço muito razoável, consegue oferecer um conjunto de atributos que o tornam um concorrente bastante apetecível dentro do seu segmento.

Aliar prestações simpáticas a bons consumos, com linhas cativantes e um habitáculo funcional, tudo por muito menos de 30.000€, nunca é uma tarefa fácil. Todavia, este ‘smooth operator’ supera o teste com distinção.

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