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Texto e fotos: Pedro Bastos
Pós-produção: João Meneses Photography
A juventude dos 40 anos do modelo Civic é justaposta aos mais de 500 anos de história sobre a arte japonesa do desembainhar da espada, o Iaido!

Mais do que uma arte marcial de elevada complexidade, é antes o rigor e a atenção ao detalhe posto na sua execução que a tornam algo de verdadeiramente fascinante.

Esta comparação é extensível ao Civic Sedan, ou antes em versão ‘espada’, pois também não é pela sua elevada complexidade de conceito, sendo de igual forma o rigor de construção e atenção ao detalhe, que o tornam um produto de reconhecidas qualidades e muito atraente.
Nesta versão ‘XL’, o Civic 4p apresenta mais 12cm de comprimento (4.63m em lugar de 4.51m) e uma bagageira maior, com 519 ltrs de capacidade (contra 478 na versão 5p). No entanto, maior nem sempre significa ‘melhor’, pois dada a boca de carga mais estreita, e pela ausência de uma 5ª porta, perde (e muito) em funcionalidade e versatilidade, já para nem mencionar a ausência de uma pega para fechar.
Exteriormente, as diferenças centram-se principalmente em pormenores que procuram transmitir um ar mais maduro e conservador, alinhando com as preferências típicas do cliente para este tipo de carroçaria.
Uma extensa barra cromada na frente, puxadores de porta cormados, moldura superior sobre as portas igualmente cromada e uma traseira mais conservadora, sem qualquer apêndice aerodinâmico ou elementos de carácter mais ‘desportivo’.
Os preços para a única motorização disponível, o 1.5T a gasolina, começam nos 28.350€ para a versão Comfort com caixa manual, terminando nos 35.750€ para a versão Executive com caixa de velocidades CVT.
Se ainda não há muito tempo elogiei os 26.550€ pedidos pelo Hyundai i30 Fastback 1.4T de 140cv, o que dzer sobre pedir apenas mais 1.800€ por um Civic Sedan equipado com um 1.5 VTEC Turbo com 182cv?
Arrisco-me a dizer que é … imbatível!
Porquê? Simplesmente porque comparando com o seu reival Coreano, o Japonês é um produto bastante superior, quer em termos reputacionais, quer em termos de qualidade global do produto, quer em termos de motorização… por apenas mais, repito, 1.800€!

Tal como amplamente elogiado noutros trabalhos, a qualidade global e solidez de construção deste novo Civic, é um dos seus pontos fortes, oferecendo garantia quanto à isenção de ruídos parasitas, mesmo sobre pisos degradados, e capaz de brindar os seus ocupantes com excelentes níveis de insonorização. Se alguma crítica possa tecer quanto à carroçaria em geral, tem que ver com um fechar de portas acompanhado por um som algo frágil, em especial, na tampa da mala.
Em termos de habitabilidade geral, nada muda para além da já referida capacidade da mala, majorada em 41 litros. É possível transportar 5 adultos sem dificuldades de maior e, apesar de uns bancos dianteiros com pouco apoio e demasiado horizontais ao nível das pernas, é possível obter uma boa posição de condução, com bom alcance para o agradável volante e pedais, sendo de destacar a forma como é possível regular o assento bastante para baixo, transmitindo uma agradável sensação de se fazer parte da máquina.
A instrumentção é muito completa tomando a forma de um painel 100% digital, comum a todas as versões, a dominar as atenções e permitindo uma leitura fácil de todos os valores apresentados. O peso dos comandos é adequado e agradável, mantendo também o ecrã central táctil que agrupa todas as prinicpais funções mas, tal como anteriormente referido, não é propriamente dos mais simples ou intuitivos de utilizar.
O VTEC Turbo com 1.5 litros de cilindrada e capaz de 182cv às 5.500rpm é, inquestionavelmente, um dos pontos fortes deste modelo. Combinado com um peso de todo o conjunto que não atinge os 1.300kg, a desenvoltura e capacidade de ganhar velocidade que este Civic Sedan apresenta, é capaz de surpreender os mais cépticos. Beneficiando ainda de uma sonoridade particularmente agradável sempre que o ponteiro do ‘conta-voltinhas’ supera as 4.000rpm.
O binário máximo de 240Nm, disponível entre as 1.900rpm e as 5.000rpm, transforma este bloco num dos turbos mais disponíveis do seu segmento, permitindo rubricar não só uma aceleração dos 0-100 em apenas 8.5s, bem como, e não menos importante, capaz de reprisar dos 80 aos 120km/h, com 4 adultos a bordo e com inclinação desfavorável, sem que sequer se justifique recorrer à muito precisa caixa de 6 velocidades.
Todavia, e poderia tratar-se de algo específico do modelo ensaiado, a caixa de velocidades contrariou o que de melhor se faz na marca e pareceu-me mais ‘pesada’ do que os demais congéneres ensaiados.
Em relação ao modelo de 5p, o Sedan oferece uma postura mais descontraída, com um pisar mais macio que também induz mais algum adornar de carroçaria. De notar que o modelo Sedan não oferece a possibilidade de ter a suspensão adaptável em 2 níveis de dureza.
Ao cabo de 200kms de ensaio, e com mais de 50% dos trajectos feitos em circuito urbano, o consumo global apresentado cifrou-se nos 8.0l/100 (com temepraturas acima dos 35 graus a penalizar ainda mais os consumos), sendo que em AE, a uma velocidade constante de 120/130km/h, foi fácil registar valores abaixo de 7.0l/100. De notar que a marca anuncia um consumo médio de 5.8, valor que considero ambicioso, tendo em conta a disponibilidade e alegria que este motor tem para fazer rotação, quase que apelando a ritmos quase sempre vivos!

Por menos de 30.000€, este ágil  e hábil praticante de Iaido, recolhe claramente as minhas preferências dentro deste segmento.

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