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Texto: Pedro Bastos
Em Março de 2017 tive oportunidade de ensaiar a nova geração do Audi Q5, numa versão sobre equipada com tração quattro, caixa de velocidades STronic e motor TDi de 190cv. Apesar de completíssima, esta versão carregava o pesado fardo ‘preço’, dotada de uns generosos 10.000€ de opcionais, fazendo o preço final disparar para lá dos 72.000€!
 
 Assim, esta versão 2.0TDi de 150cv, com caixa manual de 6 velocidades e tração dianteira, apresenta-se como a versão de acesso à gama Q5, com um preço de 51.000€, não deixando de reunir um sólido conjunto de argumentos que a tornam uma proposta muito válida e competitiva dentro do segmento dos SUV ‘premium’.
  
 Dentro do universo dos seus comparáveis mais diretos, esta versão do Q5… não tem rivais! E isto porque, no caso da BMW, a versão de acesso do X3 é a 20d de 190cv, caixa automática e tração XDrive, com preços a partir de 58.000€, sendo igualada em valor pelo Mercedes GLC250d de 204cv, também com caixa automática e tração 4Matic.
Obviamente, também podemos escolher descer um nível em termos de segmento e não deixar de considerar um Mazda CX-5 na sua versão de acesso. Assim sendo, e com especificações técnicas similares a este Q5, os preços do japonês começam nos 34.000€.
 Porém, sou da opinião que o cliente típico de um Q5, não é o mesmo que olha para um CX-5, preferindo situar-se, essencialmente, dentro da hegemonia alemã.
 Em termos estéticos, considero este Q5 mais um caso de sobriedade alemã, não arriscando em grandes ‘invenções visuais. As linhas são elegantes q.b. e as proporções bem conseguidas. Não se morre de amores por esta carroçaria, mas também não acho que seja um caso de se achar feio sob algum ponto de vista.
 Esta versão de acesso equipa de origem com faróis bi-xénon na dianteira e luzes de presença, bem como farolins traseiros, em LED. Toda a estrutura transmite um ar de enorme robustez, denotando-se mesmo a olho nú, folgas mínimas entre painéis e inexistência de desalinahmentos.
O interior é em linha com aquilo que os produtos Audi nos vêm habituando; uma rigorosa escolha de materiais aliada a uma construção de topo, tornam o habitáculo deste Q5 num local muito agradável para viajar. Tudo o que tocamos tem um feel ‘premium’, transmitindo-nos uma clara sensação de solidez.
 Graças às amplas regulações do volante e bancos, rapidamente obtemos uma boa posição de condução, sendo que, como é habitual nestes SUV, viajamos altos, mas com evidentes benefícos no campo da visibilidade para o exterior.
O espaço interior é generoso, permitindo acomodar 5 adultos sem dificuldade, bem como 550 litros de ‘pertences’.
O motor que equipa este Q5 é o sobejamente conhecido 2.0TDi com 150cv, capaz de produzir 320Nm que se mantêm constantes entre as 1.500-3.250rpms, dotando-o de uma boa elasticidade e capacidade de progressão. Apesar disso, os seus 1.735kg ‘pesam’ no andamento deste Q5 e com o carro mais carregado, aconselho vivamente a planear as ultrapassagens com algum cuidado.
Em termos de performance pura, os 150cv são suficientes para uma velocidade máxima de 206km/h, quebrando os primeiros 100km/h em 9.7s.
A marca anuncia um consumo médio de 4.5l/100 e emissões de 117g/km para esta versão. Ao longo de 800kms de ensaio, o consumo médio que obtive cifrou-se nos 6.7l/100, o que, dada a reduzida quilometragem desta unidade e com o tipo de percursos que efetuei, não posso deixar de realçar como sendo um número ‘simpático’.
Rumando a terras algarvias debaixo de chuva e vento forte, a estabilidade imperturbável do Q5 ficou mais do que provada, tendo percorrido os 300kms de AE em velocidades pouco acima do limite legal, sem que por alguma ocasião sentisse algum movimento nefasto da carroçaria ou desvio em relação à trajetória imposta.
Este motor 2.0TDi é dono de uma suavidade digna de nota o que, aliado a uma excelente insonorização do habitáculo, é garantia de que mesmo acima das 3.000rpms mal se faz ouvir, fazendo-nos esquecer que temos um motor diesel debaixo do capot.
A reforçar a sensação ‘zen’ vivida a bordo, contamos com uma afinação de suspensão que se revelou muito equilibrada, garantindo um adornar do conjunto muito controlado, quer em curvas a alta velocidade, quer em traçados mais sinuosos e nem mesmo um altíssimo perfil ’60’ dos seus pneus 235 em ‘modestas’ jantes de 18, prejudicou o comportamento dinâmico, sendo a meu ver, mais um ‘plus’ no que toca ao conforto e isenção de ruído de rolamento.
 Já vai sendo invulgar subir a bordo de um Audi recente e encontrar 3 pedais e uma caixa manual. Neste caso, é apenas mais ponto a favor experiência muito positiva, pois a caixa presente neste modelo revelou ser de muito agradável utilização, quer em termos de precisão, quer em termos de manuseamento. É um facto incontornável que as caixas automáticas recolhem cada vez mais a preferência dos utilizadores deste tipo de veículo, sendo uma alternativa muito válidam, mesmo para aqueles condutores com uma visão mais conservadora sobre o tema.
Tratando-se de um veículo de cariz marcadamente familiar e que se pauta por uma utilização fundamentalmente descontraída, pessoalmente, optaria por uma versão automática.
No entanto, e no caso específico do Q5, a motorização de 150cv só está disponível com caixa manual e tração dianteira.

1 COMENTÁRIO

  1. Boas, para estes valores, 51000€, que tal um Stelvio 2.2 com 180cv diesel c/ caixa automática, salvo melhor opinião parece-me bem mais bonito.

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